Depois de pouco mais de um ano de trabalho na love.fútbol, quase que a maior parte desse tempo acompanhando o andamento dos projetos e auxiliando a equipe em nosso escritório, no começo desse ano me foi dada a missão de, junto a Flavinho, nosso coordenador de projetos, viver o dia-a-dia de uma comunidade e construir com ela um espaço seguro pra jogar futebol. 

A comunidade era Massangana, no Cabo de Santo Agostinho (PE), lugar simples, do nosso projeto #18, feito em parceria com a Concessionária Rota do Atlântico, onde a única área de lazer era o campo, que apresentava más condições. Tralhas em suas laterais, terreno bastante irregular, muito lixo e dejetos de animais ao redor e dentro do campo eram alguns dos problemas que de cara se observavam.
 

Bastou uma manhã com a galera pra notar que o futebol pulsava ali. O assunto não era outro. Quando ouvi que falavam do Atlético e do América, achei que tratavam do futebol mineiro, mas eram times da comunidade, aos que se somam CTM, Escolinha e o 100% Feminino. Foi um dia todo de gozação entre uma turma que fazia parte de um time e de outro, que tinham acabado de jogar uma rodada do campeonato da praia. Aliás, de futebol profissional, pouco se falava, a não ser comentários orgulhosos sobre Jaílton, nascido e criado na comunidade, que disputava o campeonato pernambucano pelo Central de Caruaru. 
 

O projeto, como todos os outros, enfrentou desafios e dificuldades. Mas as figurinhas repetidas, que em todos mutirões, fizesse sol (que tem uma distância menor de Massangana do que do resto do planeta) ou chuva, se faziam presentes com uma alegria fora do normal, tudo para ver concretizado o sonho da arena pronta. Assim, tudo parecia mais fácil. A força e a dedicação de Nem, PC, Índio, Ivaldo, Joelma, Michelle, Joyce, Letícia, Sotavi, Carlinhos Bala, Rebolinho, Rafinha, Ezequiel, Josadaque, Marinho, Tuca, Zé Betoneira (Apelido dado pela rapidez em traçar o concreto), Nado, Bafo e Alex e de tantos outros não menos importantes, já estão marcadas na história da arena, que apenas começou a ser escrita. 

Na fase final do projeto, notava-se um entrosamento incrível da galera da comunidade. Um misto de ansiedade pra inauguração e de saudade antecipada dos dias animados de mutirão tomavam conta das conversas. “Isso aqui tá ficando bonito demais, não vejo a hora de ver a Escolinha jogando aqui”, me disse um dia Ivaldo. Joelma, no mutirão de pintura, no meio da cantoria com as meninas, soltou: “Rapaz, isso vai fazer falta, viu? No próximo projeto que vocês forem fazer, chama a gente!”.

Como esquecer da caranguejada do mestre Rafinha, da feijoada de Joelma e dos bregas que rolavam no carro de Josadaque?

Como esquecer da caranguejada do mestre Rafinha, da feijoada de Joelma e dos bregas que rolavam no carro de Josadaque?

25 de abril. Depois de pouco mais de 4 meses de correria, chegou o grande dia. Muita alegria e emoção de todo mundo que fez parte do projeto e de quem presenciava a molecada cantando, brincando e correndo dentro da arena pronta.

Massangana, lugar onde Joaquim Nabuco viveu e construiu a base de seus ideais abolicionistas, dá um grande passo para uma nova libertação, com uma comunidade nitidamente mais forte e unida trabalhando junta por outras melhorias. 

Toda a energia positiva para essa comunidade especial. Com carinho,

Pedro Leal


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