Rodrigo Lobo começou cedo a se relacionar com câmeras, imagens. Com 15 anos, fez curso de Cinema, virou assistente de câmera, trabalhou em filmes. Ainda adolescente, no curso de Jornalismo, encontrou a profissão a qual se dedicou por boa parte da carreira até agora: fotojornalista. Trabalhou no Jornal do Commercio por 13 anos, participou de grandes coberturas, fotografou muitas partidas de futebol, ganhou prêmios. Hoje, voltou ao audiovisual, com produtora própria, a Rói-rói, mas não deixou de lado a fotografia autoral. Nessa conversa, Lobo, um apaixonado por futebol como a gente, conta um pouco da relação futebol x fotografia na vida dele e de como deu início a um projeto de registros do espírito do futebol de várzea.  


O que você mais gosta de fotografar?

Pergunta difícil. Eu gosto, mas gosto mesmo de fotografar o que estou com vontade. Um negócio que dá na hora e você puxa seu celular, máquina, plec-plec, seja lá o que tiver nas mãos, apontar e congelar aquele tempo ali. Dar aquele "Mandrake" na memória. 

Foto: Rodrigo Lobo

Foto: Rodrigo Lobo

Qual sua conexão (e da sua família) com o futebol e os esportes?

Nossa. O esporte está no sangue da família. Praticamente todos meus tios e tias, da parte de mãe e pai (são 16), jogaram vôlei ou basquete. Um tio e uma tia foram da seleção brasileira de vôlei, outro treinador da seleção. Então crescemos jogando tudo. Futebol, vôlei, basquete. E eu sempre fui alucinado por futebol. Fui atleta amador de Futsal, jogava como goleiro. Até convocado pra seleção pernambucana eu fui! Dá para acreditar? (Risos)

Aí, juntei a nova paixão que era a fotografia com o futebol. Esqueci de contar: com 17 anos trabalhava na extinta revista Resenha Esportiva. Viajei o Nordeste inteiro cobrindo jogos da Copa do Nordeste. Depois já no JC, passei várias temporadas no caderno de Esportes. Cobri algumas centenas de jogos. Isso me deu uma pegada, foi um exercício pro olhar no sentido de ajudar a prever o lance e sempre tentar antecipar o clique. A fotografia esportiva requer isso, entender o esporte como um todo. E no caso do futebol, lhe ensina os dois lados da moeda. O bom e o ruim. O sonho e a realidade. 

Foto: Rodrigo Lobo

Foto: Rodrigo Lobo

Hoje esse futebol dos estádios, dessas torcidas loucas já não me encanta mais. O que me leva para o futebol hoje são meus filhos que adoram e jogam. O mais velho, Luca, já participa de campeonatos regionais, nacionais e até já viajou pra Europa para participar de um torneio. Então, vivo agora esse universo, o universo das escolinhas de futebol, dos torneios em campos de várzeas, das quadras de futsal.  

Foto: Rodrigo Lobo

Foto: Rodrigo Lobo

O que te motiva a fotografar partidas de futebol?

Durante o jogo eu gosto mesmo é de assistir, de torcer! Passei anos sem ver direito um jogo de futebol. Você com a máquina enfiada no rosto o tempo todo e preocupado em não perder o lance você não vê nada! Mas as pessoas e o que leva elas a jogarem me motivam bastante a fotografar antes do juiz apitar o início da partida.

O que você busca retratar nas imagens de futebol?

O mais interessante pra mim no futebol é o que não está dentro das quatro linhas. O que está fora, ao redor, é que mais me interessa. E principalmente os sentimentos e motivações que envolve toda essa mística do que é o futebol. 

Foto: Rodrigo Lobo

Foto: Rodrigo Lobo

O que te inspirou a fotografar o futebol de várzea? O que você enxerga de especial nessa atmosfera? Qual o paralelo entre fotografar o futebol amador e o futebol profissional?

Não foi nada intencional. Não é algo racional que eu coloque na agenda e saia de casa especificamente para isso. Fotografar futebol de várzea é estar vivendo aquele momento. A mesma coisa que fotografar trabalhadores das praias, personagens do carnaval e tantas outras coisas que atraem o meu olhar. Só preciso estar ali vivendo aquele momento que as coisas acontecem. Naturalmente. Para o meu trabalho hoje, apenas um celular com câmera é suficiente. Para jornais, revistas e sites - por conta do tipo de imagens consumidas por eles -  outros equipamentos são necessários. Como hoje eu sou o patrão de mim mesmo, me livrei de alguns quilos de equipamentos. 


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