O futebol sempre te surpreende

Depois de ter vivido uma experiência inesquecível no Uruguai seguíamos eu, as pesadas e la pelotuda pelo interior da Argentina em busca de novas histórias. De Córdoba, parti pra província de Mendoza, do lado oeste do país, separada do Chile pela monumental Cordilheira dos Andes. Depois de uma noite na capital do estado, decidi conhecer San Rafael, três horas ao sul. Atraído sobretudo pelas belezas naturais do lugar, eu tinha poucas expectativas sobre o que encontraria sobre futebol por lá, mas foi justamente aí que ele me surpreendeu da forma mais intensa e bonita em toda a viagem.

No hostel que me hospedei conheci um cara chamado Marcos Andres, Paco, que no meio de uma conversa soltou: “Eu estudo geologia em Buenos Aires e adoro o que estudo, mas o que eu tenho mais amor e que mais me apaixona mesmo é o fútbol.” A partir daí, a gente já não falava mais de outra coisa. Passamos horas contando da relação da gente com o futebol, sobre os times de coração, sobre o sonho de ser jogador, sobre a capacidade de transformação cidadã e social do esporte, e aí apresentei pra ele a love.fútbol e ele me contou do projeto pessoal que tava realizando na viagem.

Paco, eu e La Pelotuda e um sonho em comum: a transformação por meio do futebol.

Paco, eu e La Pelotuda e um sonho em comum: a transformação por meio do futebol.

Paco, como eu, tem como guias o amor e a paixão pelo futebol. Ele me disse que desde pequeno o futebol era algo que realmente o enchia de felicidade e que não via outra forma de viver que não fosse com o esporte. O tempo mostrou que as qualidades de jogador não foram suficientes para chegar a um clube de primeira e ele decidiu se dedicar ao futebol de outra maneira: decidiu viajar de bicicleta por cidadezinhas e povoados do interior da Argentina levando o amor pelo futebol na bagagem.

“Meu sonho é que eu possa colher frutos desse projeto, seja vendo que as crianças melhoraram seus pontos fracos tecnicamente e potencializaram suas habilidades, podendo chegar a um clube de primeira e quem sabe à seleção nacional, ou percebendo que cresceram como pessoas e se incluíram socialmente.”, ele me contou. A cada técnico e professor de educação física desses lugares, Paco entrega cópias de um livro de Jorge Griffa, o mentor futebolístico de Marcelo Bielsa, um dos maiores treinadores da história da Argentina, que ensina e reforça técnicas e fundamentos do futebol e descreve a importância pra formação cidadã de crianças e adolescentes.

Enfim, seguimos por caminhos geográficos diferentes, mas a mesma trajetória de busca por transformações através do futebol. La pelotuda, minha companheira de viagem até então, seguiu com Paco nas suas andanças pelo interior da Argentina, se enchendo de novas histórias e enchendo de alegria os pés de chicas e chicos hermanos. Eu segui pro Chile, já nos últimos dias da minha empreitada, com a esperança renovada e a certeza que não estava só nessa missão. Sem dúvida, outros apaixonados como Paco e eu andam espalhando por aí seu amor pelo futebol, buscando transformar e aproximar o mundo.

Ele está em toda parte

Vitrine e até o ponto de ônibus em Buenos Aires com referências ao futebol.

Vitrine e até o ponto de ônibus em Buenos Aires com referências ao futebol.

Como no Uruguai, de onde parti no dia seis de janeiro rumo às terras hermanas, nas veias argentinas pulsa a cultura do futebol. Na outra margem do Rio da Prata o amor pelo esporte parece ecoar do país vizinho e vice-versa. Na capital federal, Buenos Aires, pra onde se olha ele está presente, estampado em paredes, nas capas de jornais e revistas, na varanda dos prédios, na pele dos apaixonados, nos outdoors, nas lojas, nas praças. Durante todo o mês, torcedores do Racing, River, Boca, San Lorenzo, Independiente e outros circulam aos montes pela cidade e se entocam nos pubs e bares para acompanhar o Torneio de Verão de Mar del Plata, o principal campeonato de pré-temporada no país. 

Depois de dois dias em território porteño, segui en bus pelo interior e nada pareceu mudar. Nas 11 horas de trajeto até a próxima parada, Villa General Belgrano, cidadezinha de colonização alemã, na província de Córdoba, vi incontáveis campos ou canchas como chamam eles, na beira da estrada. Na cidade, famílias inteiras são vistas jogando futebol pelas ruas. Da mesma forma, rolou em La Cumbrecita, povoado que fica a meia hora: encontrei muita gente louca por futebol.

No hostel, discutia sempre com um grupo de argentinos que sabia a escalação da Seleção Brasileira das últimas quatro copas de cabo a rabo e eu brincava dizendo que pareciam sentir prazer em lembrar dos nossos jogadores e que custavam em admitir que a gente foi superior todo esse tempo. A peleja Pelé x Maradona também não deixou de aparecer. Me impressionou ver como é forte a universalidade do futebol, uma língua que se origina dos pés e que passeia pelas mentes e corações nos lugares mais diversos.

Uma pose depois da pelada no parque, em Buenos Aires.

Uma pose depois da pelada no parque, em Buenos Aires.


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