Projeto leva rugby à comunidade Santa Marta, no Rio de Janeiro

“Alguém já viu essa bola aqui!?”
“Vocês sabiam que não pode dar passe para frente que nem no futebol?”
“Rugby é união. Se você errar, seu amigo vai te ajudar”

Explorar o desconhecido e estimular a união. São esses os primeiros ingredientes utilizados pelo projeto Rugby para Todos para conquistar as crianças no morro de Santa Marta, que, em sua maioria, nunca ouviram falar em um dos esportes que mais cresce no Brasil. Responsável pela iniciativa que atua desde julho no campo do Tortinho - projeto love.fútbol realizado em parceria com a Unilever, em 2016 -, Maurício Iasevitch, 27 anos, destaca a importância da escolinha na construção de valores junto aos alunos e familiares.

"A gente aproveita essa diferença do rugby para chamar a atenção das pessoas. Falamos da bola, do estilo de jogo e da filosofia do esporte. E assim passamos nossos valores e conquistamos as pessoas. Queríamos nos afastar um pouco da praia, onde normalmente os projetos de rugby acontecem (Copacabana e Ipanema) e trazemos para o contexto do Santa Marta, que tem o terreno mais parecido com o que é encontrado no esporte profissional. É o nosso primeiro polo no Rio de Janeiro dentro de uma comunidade. Estamos muito felizes e já colhendo os primeiros frutos desse trabalho".

 Fotos: Rafael Ribeiro para love.fútbol

Fotos: Rafael Ribeiro para love.fútbol

Cerca de 100 crianças, de seis a 17 anos estão frequentando as aulas do Rugby para Todos, que conta com suporte técnico e psicológico e busca implementar valores de maneira lúdica durante as aulas.

"O projeto começou há 10 anos em São Paulo (Paraisópolis) e veio para o Rio em 2011. Hoje, vemos que nossos alunos lá do início já incorporaram esse espírito de cooperação, empatia, comunicação. Todo mundo acha no início que é um esporte violento, mas não é nada disso. Os times são amigos. Existe um respeito incrível", pontua Maurício.

Duas das crianças que frequentam o projeto, têm uma relação especial com o campo do Tortinho. As gêmeas Keciane e Karina, de 11 anos, foram escolhidas pela comunidade para colocar a primeira mão de terra no campinho, durante as obras de recuperação do espaço, em 2016. Hoje, elas colhem os benefícios de estarem envolvidas com o Rugby para Todos.

 Keciane e Karina em gesto simbólico durante as obras de recuperação do Campo do Tortinho, em 2016.

Keciane e Karina em gesto simbólico durante as obras de recuperação do Campo do Tortinho, em 2016.

"Elas duas são exemplo claro de empenho. Chegaram sem muito comprometimento e hoje conseguem perceber o quanto elas fazem diferença nos treinos, participando e ajudando os professores. Elas melhoraram e se desenvolveram durante esses seis meses. Esperamos que elas cresçam no esporte e quem sabe, possam seguir os caminhos do Rugby".

Na conversa com a love.fútbol, Maurício citou casos de ex-alunos do que hoje estão brilhando nas competições mundo afora.

"A atleta Bianca Silva, revelada em Paraisópolis, é hoje atleta da Seleção Brasileira e disputou o mundial no ano passado. Temos também a Raquel, que é professora do Instituto e um ex-aluno nosso que ganhou uma bolsa para jogar na Nova Zelândia. O resultado está sendo maravilhoso e pretendemos alcançá-los também no projeto do Santa Marta".  

Para o autônomo Anderson Nascimento, o Ganso, 35 anos, morador da Santa Marta e um dos capitães voluntários responsáveis pelo projeto de recuperação do campo em parceria com love.fútbol, o rugby vem sendo uma ferramenta transformadora.

"Passamos pelo campo e vemos as crianças felizes, se divertindo e praticando um novo esporte. A comunidade está envolvida com a iniciativa e esperamos continuar juntos trabalhando pelo bem das pessoas".

SAIBA MAIS: Como funciona um projeto love.fútbol

Pedro Costa1 Comment