Coletânea Joga Pra Elas - Capítulo 4 - Glória Maria conta a história de Anna Clara
Esta é a quarta história da coletânea do Joga Pra Elas: 11 histórias, 22 mulheres e 1 time.
A iniciativa nasceu do desejo de criar um espaço onde mulheres pudessem reconhecer e compartilhar as histórias umas das outras. A Coletânea Joga Pra Elas convida mulheres a contarem as trajetórias de outras mulheres, revelando redes de apoio, caminhos de resistência e conexões que muitas vezes acontecem longe dos holofotes.
Mais do que relatos individuais, esta coletânea celebra a potência do coletivo e o papel do futebol como espaço de pertencimento para meninas e mulheres dentro e fora das quatro linhas.
Anna Clara: o sonho de viver do futebol começou nas ruas, ao lado do pai
A paixão de Anna Clara Santana dos Santos, de 18 anos, pelo futebol começou ainda na infância, nas brincadeiras com o pai, Roger Santana, de 39 anos. São-paulina por influência dele, a jovem cresceu com a bola nos pés e encontrou no esporte um sonho que, apesar das dificuldades, ainda deseja realizar: se tornar jogadora profissional. Moradora do Jardim Julieta, na zona norte de São Paulo, Anna Clara teve suas primeiras experiências com o futebol na quadra do Instituto Jardim Peri, onde começou a jogar aos 13 anos. Na época, era a única menina entre os participantes.
“Eu me lembro exatamente onde comecei a jogar. Foi lá na quadra do Instituto Jardim Peri. No começo, era tudo muito novo para mim, mas foi ali que comecei a construir minha relação com o futebol”, conta.
Depois de cerca de dois anos, Anna Clara passou a integrar o PS9, um projeto de futebol feminino que disputava campeonatos de várzea. Ao longo da trajetória, participou de aproximadamente seis ou sete competições. Mais tarde, teve a oportunidade de fazer uma avaliação na PSG Academy, na Barra Funda, onde continuou jogando até 2024.
Dentro de campo, ela prefere atuar como ponta, posição em que pode explorar sua velocidade para avançar sobre as adversárias e criar oportunidades para a equipe. Também joga como centroavante. Competitiva, não esconde que gosta de vencer.
“Quando eu entro em campo, o sentimento é de felicidade. Eu esqueço um pouco de tudo e só quero jogar, correr e dar o meu melhor”, afirma. Em partidas mais disputadas, a adrenalina aumenta, principalmente quando o resultado é uma vitória.
O futebol também proporcionou experiências que ultrapassaram as fronteiras de São Paulo. Em 2023, Anna Clara viajou para a Austrália com outras jovens, em uma iniciativa da love.fútbol, ligada à Rexona, para acompanhar duas partidas da Copa do Mundo Feminina. A viagem foi um dos momentos mais marcantes de sua trajetória.
“Foi uma experiência incrível. Tive a oportunidade de conhecer os estádios, visitar os vestiários e, com certeza, foi um momento que ficou marcado na minha vida”, relembra.Apesar das conquistas, o caminho não foi livre de dificuldades. Anna Clara conta que já ouviu comentários de que futebol não era coisa de menina e acredita que as mulheres ainda precisam demonstrar mais competência para serem reconhecidas como jogadoras. Mesmo diante do preconceito, ela diz que nunca deixou que essas situações a impedissem de continuar. O apoio da família também foi fundamental. O pai, que apresentou o esporte à filha e a incentivou desde pequena, acompanha seus jogos. A mãe, Luciana Santos de Souza, de 39 anos, é palmeirense, mas a rivalidade futebolística dentro de casa nunca foi um obstáculo
para a jovem são-paulina. Hoje, porém, Anna Clara vive um período de pausa no futebol. Depois de concluir o ensino médio e começar a trabalhar como assistente administrativa, passou a enfrentar dificuldades para conciliar a rotina profissional com os horários de treino. Sem jogar por uma equipe atualmente, ela aproveita os fins de semana para bater bola por lazer nas ruas e nos campos próximos de onde mora.
“Meu maior desafio hoje é conseguir conciliar o trabalho com o futebol. Por enquanto, não estou jogando nem treinando, mas ainda tenho vontade de continuar”, explica.
A distância dos gramados incomoda, principalmente porque o desejo de seguir no esporte permanece vivo. Em alguns momentos, ela chegou a pensar em desistir, diante das dificuldades para conciliar as responsabilidades. Ainda assim, o amor pelo futebol continua sendo um motivo para não abandonar o sonho. Entre suas referências está a trajetória da jogadora Kerolin Nicoli, atacante brasileira que joga pelo Barcelona e pela Seleção Brasileira, cuja história de superação admira. Anna Clara também acompanha o futebol feminino e sonha em conhecer o Morumbis, estádio do São Paulo, clube pelo qual torce desde criança. No cenário internacional, o Barcelona está entre seus times favoritos. Mais do que conquistar espaço dentro de campo, ela quer provar a si mesma que pode chegar mais longe. Daqui a cinco ou dez anos, imagina estar com a vida estável, formada e, se possível, atuando profissionalmente no futebol.
“Meu maior sonho é conseguir me profissionalizar, jogar em um time grande e evoluir cada vez mais como jogadora. Seria incrível poder viver do futebol e trabalhar com algo que eu amo tanto”, diz. Para outras meninas que desejam começar no esporte, mas têm medo do julgamento alheio, Anna Clara deixa um conselho: não ter medo de tentar e não se importar tanto com a opinião dos outros. Afinal, foi assim, entre as brincadeiras com o pai e as primeiras partidas na quadra do bairro, que ela começou a construir sua própria história com a bola.
“O futebol me transformou, me fez amadurecer, ter mais confiança em mim e acreditar que sou capaz de correr atrás dos meus sonhos, mesmo quando as coisas ficam difíceis”, resume. Por enquanto, o sonho profissional está em espera, mas não foi deixado para trás. Para Anna Clara, o futebol continua sendo parte de quem ela é e de quem ainda deseja se tornar.
Anna Clara tem 18 anos e é de São Paulo. STya história com o futebol começou no Instituto Jardim Peri, onde deu ois primeiros passos e vivey momentos importantes. Atualmente, trabalha e precisou dar uma pausa no futebol, mas ainda tem muita vontade de voltar a jogar e realizar o sey sonho de me tornar profissional. Jogo de centroavante e ponta e a velocidade são suas principais características. Em 2023, teve a oportunidade de ir para a Austrália com pessoas incríveis para acompanhar a Copa do Mundo Feminina. Foi uma experiência muito especial, que marcou a sua vida e que ela irá guardar pra sempre com muito carinho.
Glória Maria é Jornalista, produtora cultural, mãe e graduanda em Gestão de Negócios.